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PRÓLOGO
UMA DOR ABSURDA faz as minhas pernas
tremerem. Eu caio de joelhos no chão duro com o corpo encostado no murro de
gesso. Gemi baixo. Os meus olhos não se abrem. Decido acabar com aquilo uma vez por todas e tomar coragem para
sair daquela rua obscura. Certamente iria morrer, mas pelo menos iria morrer ao
lado de quem eu amo - por mais idiota que
isso fosse.
Levanto do chão gelado com as mãos na
parede áspera. Arranho o gesso com os olhos apertados sentindo aquela dor me
dilacerar por inteira. O suor escorre pela minha testa. Consigo ficar de pé,
mas não seria por muito tempo. Me arrasto pela rua escura sentindo minhas
pernas enfraquecerem. Um grito de dor é exalado. Era um aviso prévio de que
tinha apenas alguns passos antes de meu coração parar de bater. Teria que fazer
isso logo.
Caio no chão de joelhos e me levanto,
caio no chão de joelhos e me levanto — de
novo. A minha cabeça lateja e sinto meu corpo pedir para parar. Estava
tendo uma hemorragia e sentia o sangue escorrer pelas minhas pernas. A minha
boca também sangrava, assim como o meu nariz. Eu teria que fazê-lo logo antes
que morresse.
Anda Faith,
você consegue.
Em passos trêmulos consigo enxergar seu
portão preto entreaberto. As luzes brilhavam por dentro da casa denunciando que
estivesse acordado transando com uma vadia.
Teria de
fazê-lo antes de morrer.
Deslizo o meu corpo sujo pelo murro e
caio de joelhos no chão me rastejando até o seu portão vendo que a porta estava
aberta. Com certeza ele teria saído pela noite para me procurar, noto pelo seu
carro vermelho mal estacionado pelo gramado.
Consigo chegar até a sua porta rachada
vitoriosamente. Eu estava machucada demais e eu só queria poder olhar no fundo
daqueles olhos perversos antes de morrer. Escorreguei com as minhas pernas
trêmulas na porta. Ela se abre me fazendo cair de cara no chão gelado e sinto
aquela pontada forte queimar o meu cérebro novamente. Queria fazer aquela dor
desvanecer logo antes que piorasse. Peço a Deus que me leve logo, e em
recompensação ouço sua voz melodiosa chamar pelo meu nome.
-FAITH PORRA! O QUE ACONTECEU? – Os seus
olhos dourados se arregalam na minha frente.
Eles estavam vermelhos, mas não sabia se
era pela maconha ou pelo choro. Sinto cheiro de bebida e perfume de mulher
exalar.
Jesse nunca
muda, Jesse nunca muda.


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