PRÓLOGO

AVISO: Se você estiver lendo isso pelo celular e quiser visualizar modo computador, vá até o final das postagens do blog (final do blog) e clique: "visualizar versão para web" :)


PRÓLOGO

   UMA DOR ABSURDA faz as minhas pernas tremerem. Eu caio de joelhos no chão duro com o corpo encostado no murro de gesso. Gemi baixo. Os meus olhos não se abrem. Decido acabar com aquilo uma vez por todas e tomar coragem para sair daquela rua obscura. Certamente iria morrer, mas pelo menos iria morrer ao lado de quem eu amo - por mais idiota que isso fosse.
   Levanto do chão gelado com as mãos na parede áspera. Arranho o gesso com os olhos apertados sentindo aquela dor me dilacerar por inteira. O suor escorre pela minha testa. Consigo ficar de pé, mas não seria por muito tempo. Me arrasto pela rua escura sentindo minhas pernas enfraquecerem. Um grito de dor é exalado. Era um aviso prévio de que tinha apenas alguns passos antes de meu coração parar de bater. Teria que fazer isso logo.
   Caio no chão de joelhos e me levanto, caio no chão de joelhos e me levanto — de novo. A minha cabeça lateja e sinto meu corpo pedir para parar. Estava tendo uma hemorragia e sentia o sangue escorrer pelas minhas pernas. A minha boca também sangrava, assim como o meu nariz. Eu teria que fazê-lo logo antes que morresse.
   Anda Faith, você consegue.
   Em passos trêmulos consigo enxergar seu portão preto entreaberto. As luzes brilhavam por dentro da casa denunciando que estivesse acordado transando com uma vadia.
   Teria de fazê-lo antes de morrer.
   Deslizo o meu corpo sujo pelo murro e caio de joelhos no chão me rastejando até o seu portão vendo que a porta estava aberta. Com certeza ele teria saído pela noite para me procurar, noto pelo seu carro vermelho mal estacionado pelo gramado.
   Consigo chegar até a sua porta rachada vitoriosamente. Eu estava machucada demais e eu só queria poder olhar no fundo daqueles olhos perversos antes de morrer. Escorreguei com as minhas pernas trêmulas na porta. Ela se abre me fazendo cair de cara no chão gelado e sinto aquela pontada forte queimar o meu cérebro novamente. Queria fazer aquela dor desvanecer logo antes que piorasse. Peço a Deus que me leve logo, e em recompensação ouço sua voz melodiosa chamar pelo meu nome.
 -FAITH PORRA! O QUE ACONTECEU? – Os seus olhos dourados se arregalam na minha frente.
   Eles estavam vermelhos, mas não sabia se era pela maconha ou pelo choro. Sinto cheiro de bebida e perfume de mulher exalar.

   Jesse nunca muda, Jesse nunca muda.

Nenhum comentário:

Postar um comentário