Oie amores <3
Eu sei que eu estive longe por um tempo mas é que eu desanimei de postar os capítulos. Primeiramente "Entrega-me" era "postado" na Amazon disponível para quem quisesse comprar por 2 reais, porém com o passar do tempo eu comecei a encarar a história com outros olhares e hoje eu tenho uma visão diferente da que eu tinha alguns anos atrás quando comecei a escrever. Eu removi a história da Amazon e não tenho intenção de coloca-la de volta. Eu penso em escerever outros livros no qual eu estou bem animada pra começar a escrever :D
Eu vou continuar postando "Entrega-me" aqui mas não sei por quanto tempo :/
Peço compreensão de vocês e espero sempre ouvir seu feedback sobre as minhas histórias. Eu acredito que o que te faz um escritor/a não é apenas o fato de escrever e ter livros publicados, mas também o público que te acompanha <3
FAITH
ACORDO SUADA. Sobressalto pela cama como quem acabara de acordar de repente. Molho os lábios antes de pisar os pés do chão e me espreguiço com as mãos esticadas em direção ao teto.
Eu tinha dormido pelo resto do dia. Pude notar pela cor mais escura do céu que eu vi pela janela. Se não me engano, devia ser umas sete horas da noite. Eu estava preocupada com Bryan e sentia a necessidade de ligar para ele. Ainda bem que ainda tinha o número dele de cabeça.
Desço as escadas com os pés descalços sentindo o impacto da minha pele quente com o chão gélido da sala. Não tinha ninguém ali, mas não sabia se podia usar o telefone e também não sabia onde ficava.
Quando penso em ir subir novamente para procurar o aparelho eu sou interrompida brutalmente pelo impacto do meu corpo batendo contra um peitoral no meio do caminho. Olho para cima corada sentindo o olhar fuzilante de Jesse me cortar ao meio.
Ele estava cheiroso. Um perfume de marca cara, eu presumo. Vestido com uma jaqueta de couro preta junto a uma regata branca por baixo e uma calça jeans de ganga clara estilo badboy. Ele estava lindo. O seu cabelo sempre meio bagunçado e com algumas madeixas rebeldes caindo pela testa. Aquele seu olhar intimidador que me deixava sem jeito.
Eu estava fazendo aquilo de novo, encarando seus olhos feito uma idiota.
Mas dessa vez não desvio, não conseguia. Era tão mágico aquele seu efeito sobre mim que eu não conseguia me desvencilhar de suas íris. Jesse trava o maxilar sem tirar os olhos de mim. Ele parecia curioso, mas depois mudou seu semblante para tédio.
-Vai ficar aí me encarando ou vai sair da minha frente? – Ele ergue as sobrancelhas.
Coloco uma mecha atrás da orelha tentando disfarçar meu olhar sem graça.
-Posso usar o telefone? – Pergunto o fazendo semicerrar os olhos. Jesse me encara como se fosse uma idiota.
Ele cruza os braços e molha a ponta da língua nos seus beiços rosados antes de prosseguir. Não pude deixar de notar como aquilo me fez me sentir quente.
O que é isso, Faith?
-Claro, por que não liga para as suas amigas e faz uma festa do pijama também? – Ele sorri com ironia.
Aquele deboche dele me deixava com raiva, mas eu era obrigada a me segurar para não dizer o que não devia.
-Desculpa, mas eu só quero ligar para um amigo... – Tento dizer. Ele revira os olhos como se tivesse lidando com uma criança.
O que tecnicamente, era como se eu fosse.
-Não querida, você não pode ligar para seu amigo, entendeu? Caso contrário, você não vai gostar do que eu vou fazer com você se souber que tentou fugir, ok? – Ele balbucia suas palavras com a cabeça erguida.
Eu estava me sentindo uma idiota com ele me tratando assim e não me contive em responder:
-Não vou fugir, não sou uma criança – Cruzo os braços chamando a sua atenção antes dele virar as costas.
Jesse para no meio do caminho fechando o punho e se vira para me olhar no fundo dos olhos.
-Porra, você não vai ligar pra ninguém! Vê se não me enche e vai brincar de boneca, fedelha – Ele responde grosso.
Isso me fez sentir uma raiva brotar de dentro de mim.
Antes de eu me pronunciar Mike chega à sala lançando um olhar fuzilante para Jesse fazendo o mesmo revirar os olhos — mais uma vez.
-Cala a boca Jesse! Deixa a garota. Parece até que você nunca teve dezesseis anos – Mike retruca.
-Foda-se, eu tenho mais o que fazer, com mulheres de verdade me esperando para serem fodidas. Se você quiser pode ficar aqui com ela brincando de casinha – Ele ri debochado saindo pela porta de entrada.
Eu não acreditava no que ele tinha acabado de dizer. Estava perplexa e com a mandíbula aberta. Ele dormiria com outras estando acompanhado comigo? Pelo que eu entendi éramos para fingir que estávamos juntos. Me sentia incomodada com o fato de ele ficar com outras naquela situação.
-Ele é um idiota assim mesmo, não liga – Mike me consola chegando mais próximo a mim.
Até que ele era uma boa pessoa diferente de outros naquela casa. Muitos outros. Não sabia o porquê de ele ser tão gentil comigo, talvez eu não devesse cair nessa cilada como cai com Jim, apesar de Mike não parecer querer me machucar.
-Eu vou para meu quarto – Sussurro cabisbaixa.
-Espera, você vai mesmo ficar enfurnada aqui em pleno domingo sem fazer nada nessa casa? Vamos com a gente – Mike sorri.
Agora era eu quem estava achando que aquilo fosse uma brincadeira.
-Eu sou a escrava, não posso ficar rondando por aí. Posso fugir – Rio sem vida.
-Não liga pra isso, sei que não vai fugir. Caso ao contrário estaria ferrada na mão de Jesse. Eu não me perdoaria se te deixasse sozinha nessa casa enorme se ter o que fazer. Vamos a uma racha que vai ter daqui a pouco. Vem com a gente – Mike sorri com animação.
Não seria tão má uma ideia assim. Seria bem melhor do que ficar trancada no quarto chorando a noite toda.
Ainda estava confusa e com medo.
-Não sei se tenho essa liberdade... – Fito o chão timidamente.
-Quem disse que não tem? A partir de agora ninguém mais vai te machucar. Jim não está mais aqui, Martin também não. Apenas fique do meu lado e não suma de vista, ok? – Ele sorri.
Sem pensar duas vezes eu corro em sua direção e o abraço. Isso me distrairia um pouco.
-Obrigado, vou me trocar – Mike ri com a minha euforia quando quase levo um tombo da escada.
Troco de roupa rapidamente colocando o resto de vestimenta que ainda me restava na mochila. Lavo meu rosto, passo meu pó e calço os meus tênis antes de descer. Eu tinha deixado um vidrinho de perfume na minha bolsa que teria comprado quando cheguei em Miami para entrevista de emprego. Utilizo o mesmo borrifando algumas vezes pelo meu pescoço.
Dessa vez usaria uma blusa um pouco mais curta do que as outras que tinha. Mostrava um pouco do meu umbigo, mas tamparia com o meu moletom de zíper da cor cinza. Não era muito de sair de casa, aliás, nunca tive o privilegio de alguém me convidar para sair para algum lugar. Estava desastrada e feliz.
Encontro Mike no sofá mexendo no seu celular quando desço as escadas.
-Estou pronta – Sorrio.
-Então vamos logo antes que Jesse me mate – Ele se levanta rápido e pega no meu braço me guiando para fora de casa.
Entramos na sua Range Rover de cor escura estacionada em frente à mansão e damos partida para o local.
Eu nunca tinha ido a uma racha, mal saberia o que era isso direito, mas esperaria que não fosse uma coisa fútil. Mike puxa papo comigo o caminho todo e perco as contas de quantas risadas ele arranca de mim. Pelo menos agora eu tinha uma companhia para conversar um pouco quando estivesse dando mais um dos meus ataques de desespero. Pensaria em como daria um jeito de ligar para Bryan depois¬. Ele ficaria muito bravo comigo.
-É aqui – Mike estaciona em uma rua bem movimentada perto de outros carros ali.
Estava bem cheio, com muitas pessoas encostadas nos carros e um som alto. Tinha bebidas e gente se beijando nos pelos cantos. Parecia uma festa no meio da rua no qual eu achei bem estranho.
-Vem comigo — Mike tem que falar alto para que eu possa escutar.
Ele me leva pelo braço até um grupo de alguns homens. Os mesmos conversavam ao lado de carros esportivos que pareciam custar minha vida. Não que ela valesse muito, mas um arranhãozinho naquela máquina já era o suficiente para trabalhar durante anos para conseguir pagar o preço.
-Fala Mike – Um homem alto e moreno cumprimenta o mesmo com um toque de mãos.
Fico avermelhada com tantos olhares sobre mim.
-Ual cara, tá pegando as novinhas agora? Filho da mãe! – Um moreno de boné preto virado para trás ri alto me fitando com malícia.
Eu estava totalmente corada e com vontade de me enfiar em qualquer buraco. Devem estar pensando em o que uma pirralha fazia ali. Talvez não tivesse sido tão boa ideia ter vindo.
-Cala a boca, ela não é o que você está pensando. – Mike o repreende fazendo o mesmo se calar.
Todos eles olhavam para mim como se tivessem se divertindo com o que viam. Aquilo estava de começando a me desconfortar.
Eu nunca tinha ido para um lugar desses, e nunca tinha me entrosado com pessoas dessa idade. Na verdade eu me sentia uma nova Faith, só que mais tímida. Não sabia se gostava disso.
-O que ela está fazendo aqui? – Ouço a voz rouca e grossa de Jesse ecoar sobre meus ouvidos.
Desvio meu olhar para Jesse e ele olha para mim com uma cara de como diz que “eu vou te matar” fazendo eu me encolher no meio dos meus ombros. Ele era um homem lindo, mas isso não me impedia de sentir medo.
-Relaxa cara, você não é o único que pode ser divertir – Mike dá duas batidinhas do peitoral de Jesse.
O mesmo fecha suas pupilas por alguns segundos e depois as abre com um olhar matador. Seria hoje que eu morreria.
Eles cochicham algumas palavras um pouco à distância de mim deixando-me sozinha com aqueles garotos que mal conhecia. Pude ver de longe que Jesse estava sem paciência quase estrangulando Mike, o que me deu vontade de gritar com aquele infeliz. Mas quem ele pensava que era? Tão grosso e mandão Jesse achava que podia mandar em quem ele quisesse. Em mim ele até poderia mandar, mas Mike não tinha nada a ver com isso.
Ando em passos largos batendo o pé no chão até chegar em Jesse e interromper sua conversa. Ele me fita com um olhar sério e foi a minha vez de o fuzilar.
-Mike não tem nada a ver com isso, eu quis sair com ele. Por que não nos deixa em paz? – Trinco os meus dentes com raiva.
Jesse cruza os braços com um sorriso debochado nos lábios como se estivesse em um circo no qual eu era a atração principal. Me perco nos meus pensamentos quando ele me olha com aquele sarcasmo todo. Quase me desconcentro, mas rapidamente volto à minha postura.
-Que gracinha, Mike tem até uma mascote agora – Ele diz rindo.
-Não acho que você tem o direito de me tratar assim – Respondo um pouco chateada.
-Eu tenho o direito de fazer tudo o que eu quiser anjo, e se você não sair da minha frente agora o único direito que você vai ter é de levar um tiro. – Jesse me empurra com seu ombro e sai de vista como se tivesse acabado de conversar com uma criança.
Aquela mania dele de me tachar de criança estava me dando nos nervos, mas não duvidaria que ele me matasse se fosse preciso.
-Relaxa, ele é assim mesmo. Depois de um tempo você se acostuma – Mike da de ombros, e sorri.
Consigo ver Jesse de longe ao lado de alguns homens que pareciam ser seus amigos. Eles se divertiam como se não se importassem com nada. Reparei que muitas garotas o rodeavam, rindo de alguma coisa que Jesse dissera. Eram bonitas e pareciam ser íntimas dele. Aquilo faz eu me sentir decepcionada e envergonhada.
O que as pessoas pensariam de mim?
-A racha vai começar. Vem comigo e não desgruda de mim – Mike interrompe meus pensamentos.
Acompanho seus passos até a pista e me encaixo na calçada onde às pessoas circulavam. Pelo pouco que eu sabia pouco sobre carros pude identificar uma Lamborghini e um Camaro. Jesse surge no meio da pista atraindo todos os olhares maliciosos de todas as pessoas do sexo feminino. Até mesmo de garotinhas como eu. Não tinha uma faixa etária exata da idade das garotas, mas algumas pareciam ser mais velhas que outras. É claro, não tinha visto ninguém que parecesse da minha idade ali, o que fez eu me sentir intimidada.
-Vai começar! – Uma mulher seminua grita animada no meio da pista.
Ela era uma daquelas moças que davam a largada para os carros começarem a correr. Nisso eu não pude deixar de notar Jesse entrando na Lamborghini laranja junto com uma loira alta. Pelo que eu pude notar até agora ele era muito badalado entre as mulheres, obviamente.
Eu não me sentia bem ali.
-Um, dois... – A moça começa a contar.
Sentia o pneu do carro ranger contra o asfalto com a pressão que Jesse exercia sobre o volante. Não tinha notado quem estaria no outro carro, mas não o conhecia de qualquer forma. Queria ir embora, mas Mike me mataria se o fizesse ir agora.
-TRÊS! – Ela grita.
Os dois carros saem em disparada e a multidão grita. Mike estava do meu lado cronometrando os minutos com o celular enquanto eu fico de braços encolhidos esperando aquilo acabar.
Já se fazia dez minutos que os carros tinham acabado de partir e agora só se podiam escutar pneus de longe se aproximando. Jesse foi o primeiro a chegar e a multidão grita mais uma vez. Logo após cinco segundos o Camaro chega.
-Isso aí Jackson! – Os mesmos garotos que tinham cumprimentado Mike no início aplaudem Jesse quando ele sai do carro.
Jesse estava com seu sorrisinho de soberania nos lábios enquanto recebia elogios de todos que lhe davam parabéns pela sua vitória. Até mesmo a loira que antes estava dentro do seu carro. Ele a puxa para um beijo e crava seus dedos em sua bunda redundantemente perfeita.
Eu não aguentaria mais nenhum segundo ali tendo que encarar aquele sorriso depravado de Jesse. Não estava contente, muito menos me divertindo. Talvez tivesse sido melhor se eu tivesse ficado trancada em casa esperando até o momento de eu poder ser livre.
-Você foi demais cara. Dez minutos e cinco segundos no total! – Mike faz um toque com as mãos de Jesse.
-Você sabe que eu sou o melhor, Mike – Ele pisca se gabando.
O mesmo desmancha o sorriso quando me fita mudando seu semblante para tédio.
-Leva essa garota pra casa, vamos nos divertir. Estou precisando disso – Ele diz, me dando vontade dizer algumas poucas verdades.
Mas não o faço, não seria louca.
-Hoje é o seu dia, vou ficar de olho nela essa noite, só para garantir – Mike sorri para mim e eu sorrio de volta.
Jesse rola os olhos.
-Então tá, vai lá dar de mama para a criança. Eu vou com os caras na Central Club e não tenho previsão de que horas vou voltar – Ele responde sorrindo ainda com loira do seu lado.
Jesse finalmente some de vista me deixando a sós com Mike. Dei graças a Deus em vê-lo longe.
-Vamos. Está com fome? – Mike pergunta.
-Não precisa desperdiçar o seu tempo com uma criança, pode ir. Eu vou ficar bem – Sorrio sem vida mais uma vez.
Eu não iria mesmo, mas não queria que Mike ficasse em casa entediado só por minha causa. Ele tinha sido tão bom comigo desde que cheguei aqui e não quero ser um estorvo para o mesmo.
-Eu não estou indo com você só para ver se não vai fugir – Mike ri – A mansão de Jesse é cheia de seguranças pela noite e às vezes pelo dia. Eu estou cansado. Amanhã será um dia corrido e eu preciso comer, e você também. Não vejo nada de errado nisso – Ele dá de ombros.
Molho os meus lábios secos pensando no que Mike acabara de dizer.
Não teria notado os seguranças, mas notei nas diversas câmeras pela mansão. Já era esperado que uma casa como aquela tivesse tal segurança, mas fico assustada ao saber que não estava sozinha.
-Acho melhor nós irmos – Sorrio para ele.
Caminhamos até a sua Range Rover em silêncio colocando o cinto e dando partida para irmos embora. Não estávamos a caminho de casa, pois Mike me levaria em alguma lanchonete para comer, apesar de insistir várias vezes que não tinha necessidade para isso. Me sentia envergonhada com ele tendo que pagar coisas para mim. Não queria ser folgada, mas, de qualquer forma, também não tinha dinheiro.
Acabo deixando Mike me comprar sanduíche de frango com salada enquanto ele pede um hambúrguer. Mike estava sendo muito amigável comigo, tanto que fez eu me distrair um pouco. Talvez este fosse o começo de uma nova amizade. Ele me trata muito bem, mas disso não sabia o porquê. Acho que ele sente pena de mim, ou apenas queria me distrair mesmo. Pela minha felicidade ele tinha conseguido.
Acabamos de comer e voltamos para casa. Estava sendo uma noite agradável, apesar de Jesse ter tentado estragá-la.
-É melhor você ir dormir – Mike diz entre as risadas.
Tínhamos acabado de conversar sobre coisas aleatórias e Mike sempre me fazia rir. Passar o tempo com ele não seria tão ruim assim.
-Não estou com muito sono, mas vou tentar. Não precisa me colocar para dormir, ok? – Cruzo os braços fingindo estar ofendida. Mike arregala os olhos.
-Não, não é isso que eu quis dizer, eu... – Ele se embola todo e eu rio do seu desespero.
-Relaxa, só estou brincando – coloco a mão na boca disfarçando a minha risada.
Mike me empurra de leve e acaba rindo junto.
Volto ao meu normal ficando em silêncio, apenas observando a televisão. Estávamos na sala assistindo a um filme qualquer quando me vem o tédio.
-Por que está sendo legal comigo? – Pergunto entre o silêncio.
Mike me fita sorrindo suavemente como se não entendesse a minha pergunta.
-Estou apenas sendo gentil – Ele dá de ombros. - Por que a pergunta?
-Nada, só queria saber... – Me ajeito no sofá abrangendo a sua resposta.
Suspiro fundo pensando em mil coisas ao mesmo tempo. Solto uma risadinha sem graça em torno de tudo isso. Estava tudo tão confuso para mim.
-Quantos anos você tem, Mike? – Pergunto curiosa.
Não queria parecer ser intrometida, mas eu ainda não sabia de nada sobre o mesmo.
-Vou fazer vinte e quatro – Ele sorri.
-Ah... – Respondo meio sem graça.
Trocamos algumas palavras pelo resto da noite até eu me sentir exausta.
Faço como ele e me levanto do sofá. Despeço-me do mesmo com um beijo na bochecha antes de ir para a cama. Não conseguiria dormir, mas, mesmo assim, me cobri com o edredom.
Várias coisas rondavam minha cabeça, várias dúvidas que ainda não tinham suas respostas. Estava tudo tão confuso, tantas coisas acontecendo de uma vez só que não tive tempo para pensar.
Como Jesse poderia ser tão arrogante e grosso? Como eu poderia ter sido escolhida para fazer o papel de sua acompanhante, namorada ou sei lá o que? Como eu consegui chegar até aqui? Eu me pergunto como Jonny e Bryan devem estar agora. Bill deve estar a mil por hora cuidando daquela lanchonete sozinho. Está seria minha nova jornada? Estava enlouquecendo.
Pelo menos eu tinha Mike do meu lado para não me deixar cometer tal ato de pular daquela janela.
Já deviam ser duas horas da manhã e eu ainda não conseguia dormir de jeito nenhum. Minha garganta estava seca, me fazendo sentir uma agonia. Eu não irei conseguir dormir sem tomar pelo menos um copo d´água.
Desço as escadas silenciosamente sem fazer barulho. Eu ando em direção à cozinha tomando cuidado para não rolar daquela escada por causa da escuridão, onde apenas um miserável raio de luz vindo das janelas iluminava a casa. Eu tinha medo da escuridão.
Eu não tinha tamanha intimidade com ninguém aqui, mas não conseguiria ficar muito tempo com a garganta seca.
Chego até a cozinha rapidamente distraída com os meus passos quando levo um tremendo de um susto ao me deparar com Jesse sem camisa vestido apenas por uma calça de moletom em frente à geladeira. Ponho a mão sobre o peito tentando normalizar a minha respiração me segurando na bancada da cozinha para não cair. Estava tão assustada que não parei para visualizá-lo direito enquanto o mesmo ria da minha cara de tacho que fizera.
-Você quase me matou! – Inspiro mais uma vez abrindo os olhos novamente, mas logo me arrependo.
Eu nunca tinha visto um homem tão quente em toda a minha vida, especialmente com aquele abdômen perfeitamente esculpido com seis pacotes.
Senhor.
O seu peitoral sarado era coberto por algumas tatuagens que não pude identificar muito bem por causa do escuro, mas pude notar duas cobras se cruzando no meio. Reparo que seu abdômen continha uma frase não muito grande tatuada do lado direito, e que seu braço esquerdo era todo tatuado também. O direito continha algumas, mas não tanto quando a esquerda.
Jesse era um homem muito quente.
Nada poderia ser mais sexy do que aquela curvinha da sua cintura abaixo do umbigo, que ia em direção ao... céus.
Os meus olhos brilham com o seu corpo magnífico.
-Curtindo a vista? – Jesse me tira dos meus pensamentos com aquela sua voz rouca.
Estava mais rouca do que na racha. Isso me faz concluir que a festa que ele tinha ido teria sido muito divertida a ponto de fazê-lo perder a voz. Não tinha prestado atenção na pergunta que ele tinha acabado de me fazer, estava distraída demais para notar que estava fazendo aquela cara idiota de novo.
-Vim pegar um copo d´água – Murmuro baixo.
Estava totalmente sem graça com aquela sua barriga nua e com seus músculos me chamando pelo nome para serem tocados. Pior hora para eu resolver descer para beber alguma coisa. Devia ter tomado água da pia do banheiro, não ligaria em usar as mãos.
-Sei bem – Jesse ri bebericando sua latinha de cerveja que acabou de pegar da geladeira.
Tento me concentrar no motivo por eu ter ido ali e desvio o meu olhar para os armários que ficavam bem em cima da pia. Era alto demais para o meu tamanho, mas tento me apoiar com a ponta dos pés no chão e apenas me concentro em pelo menos abrir a porta de vidro, mas estava difícil.
Ouço as risadas de gozação de Jesse me deixando vergonhada. Era pequena demais para alcançar ao contrário daquelas mulheres lindas e altas que eu via na televisão. A minha única vantagem era quando eu e Bryan brincávamos de esconde-esconde. Eu sempre cabia nos menores lugares.
Quando me viro para pegar uma cadeira bato de frente contra o peito de Jesse sentindo aquele aroma do seu perfume invadir as minhas narinas. Jesse abre a porta do armário para mim pegando um copo e pondo na minha frente ainda com aquele sorriso de gozação nos lábios.
-Difícil né? – Jesse encosta sua lombar na bancada enquanto bebe da sua cerveja.
Reviro os olhos pegando meu copo das suas mãos e enchendo com a água gelada que pego da geladeira. Eu não olhava para ele, mas poderia sentir suas íris queimarem o meu corpo de trás de mim, o que me fez ruborizar no mesmo instante.
Estava apenas vestida com o meu short de algodão e uma das cinco regatas que tinha levado comigo na mochila, mas já me sentia seminua. Não que eu achasse que eu tinha um corpo deslumbrante, mas não gostava muito de usar roupas curtas na presença do sexo oposto. Não tinha trago muitas roupas e teria que lavar o resto que sobrara mais tarde, senão daqui a pouco eu não teria nenhuma roupa para usar.
-Sabe beata... – viro-me rapidamente ao sentir a respiração de Jesse bater contra os pelos do meu pescoço e quase me deixando inconsciente pela aproximação dos nossos corpos – Quando meu pai me falou sobre você a primeira coisa em que eu pensei foi: puta que pariu, até parece que eu vou fazer da minha casa uma creche. Tô fodido. Mas agora vendo você assim... – Ele diz fungando meu pescoço e inalando meu cheiro pausadamente me deixando de pernas bambas.
O frescor do seu hálito batendo contra toda extensão do meu ombro me fez ir para o céu por alguns segundos, fazendo-me fechar os olhos e sentir um prazer indecifrável.
Sinto uma sensação que jamais senti antes.
-Até que não vai ser tão ruim ter você aqui rebolando essa bundinha linda pela minha casa – Ele balbucia suas últimas palavras antes de subir as escadas com um sorriso malicioso nos lábios.
Me deixando ali.
Sozinha, suada e totalmente sobreposta em cima da bancada sem conseguir mover minhas pernas.
Nunca, jamais fiquei tão perto de um homem e de ninguém assim. Sentia a sensação de estar nas nuvens por alguns minutos e de calor entre as minhas pernas.
Mas o que eu estava sentindo?
Bebo o último gole de água que restava no copo antes que a minha garganta secasse totalmente enquanto ainda pensava naquilo. Não podia deixar nada disso acontecer. Jesse tinha poderes e eu devia me esquivar. Mas, caramba! Não conseguia nem pensar direito de tão atordoada que estava.
Deixo o copo em cima da pia subindo apressadamente para o meu quarto e me trancando lá.
Me escondo debaixo do edredom e fito o teto assustada. Sentia a minha respiração descompensada como se tivesse acabado de correr uma maratona, mas me recomponho depois de alguns minutos. Balanço a minha cabeça expulsando meus pensamentos sobre Jesse e tento me concentrar apenas em dormir.
Me viro e reviro por todos os lados da cama até me encaixar em uma posição agradável. Depois de uma hora sinto o sono chegar, finalmente.