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CAPÍTULO 03
ACORDO COM O sol forte cegando os meus olhos.
Eram três e vinte da tarde e o dia ainda estava apenas começando. Desembarco
perdida por aquela rodoviária de Miami como se fosse uma criança procurando por
sua mãe no meio de tantas pessoas. Eu estava definidamente perdida e sem rumo,
com a percepção de que tudo fosse dar errado no momento em que pisei meus pés
ali.
Bryan não poderia saber disso nunca ou estaria
ferrada de novo. Caso contrário, iria ter que voltar para Jacksonville para
prender Jonny. Sem falar que teria que ir para um orfanato, ou seja, o que Deus
quiser. Eu teria que manter segredo até certo ponto, só não sei até quando.
Hoje fazia bastante sol. Obviamente, apenas eu
estava vestida com um moletom. Eu não poderia tirá-lo de maneira alguma
enquanto ainda estivesse com as marcas roxas que ardiam nos meus braços.
Provavelmente só sairiam dentro de duas semanas, até lá um bom moletom era
melhor vestimenta para disfarçar. A partir de agora tentaria não pensar muito
em que eu deixei para trás ou o que aconteceu no caminho para não perder o meu
foco.
-O que vou fazer agora? –
Sussurro para mim mesma.
Suspiro fundo segurando firme para não chorar ali
mesmo. Eu estava de frente há uma praia que ficava na beira do lugar que
desembarquei e nunca vi vista tão linda. Eu nunca tinha conhecido outro lugar
além de Miami, pois nunca sai de Jacksonville, mas posso dizer que é uma das
praias mais lindas que já vi até hoje.
Aproveito o momento e me assento na beira no mar
agarrada na minha mochila apenas analisando a vista em uma calmaria tranquila.
As pequenas marolas do mar se colidindo uma com a outra, o cheiro de areia
molhada subindo a cabeça; ali era um ótimo lugar para se acalmar. Provavelmente
passaria o dia aqui.
Vasculho a minha mochila checando o quanto de
dinheiro me sobraria: trinta dólares e mais algumas moedas. Daria para
sobreviver de comidas baratas por um breve período de tempo. Eu não sabia se
era seguro dormir naquele banco da praia, mas de qualquer jeito não tinha outra
opção. Tudo isso seria pior se eu tivesse escolhido ficar, tudo seria pior. Repito isso relutantemente na
minha cabeça para não ficar louca e cair na minha vulnerabilidade mental.
Encolho-me no canto de uma árvore respirando fundo até eu tomar coragem de
levantar e arrumar um emprego.
∞
Como eu já tinha previsto não podia ser aceita.
Garçonete, atendente, secretaria... Nada me encaixaria no meu padrão de
experiência. Sinto um nó na minha garganta em pensar em como vou sair dessa. Já
eram sete e meia da noite e eu fiquei o dia inteiro procurando emprego, e como
já era o esperado, tentativa falha.
Começo a soar frio sentindo as lágrimas virem à
tona e me tocar de que aquela era a minha vida. Eu estava completamente
ferrada. Por que eu acharia que iria ser tão simples assim? Fugir de casa, ir
para Miami, conseguir um emprego e pronto. A minha vida estava completa. Já
consigo sentir o impacto que a minha decisão criou, mas prefiro morrer nas ruas
do que nas mãos do meu próprio pai.
Parece que por todo lugar que eu caminhasse
e traria uma nuvem preta comigo. Sozinha, apenas com uma mochila nos ombros e
sentada naquele banco de madeira de uma praia qualquer de Miami sem ter para
onde ir. Eu ainda era nova, queria poder construir minha própria casa e fazer
uma faculdade, conhecer alguém e ter filhos - quem sabe. Mas agora sinto
como se o mundo estivesse arrancando uma parte de mim. Tantas pessoas, tantas
histórias e eu aqui: sentada nesse banco duro e molhado com apenas um roteiro
melancólico para contar.
Me encolho nos meus joelhos sentindo as minhas
lágrimas se juntarem com as gotículas de chuva que já caiam do céu. Parecia que
era tudo mentira. De repente eu vejo um filme da minha infância passar pela
minha cabeça. Como pude deixar isso
acontecer? Pensei que fosse forte o bastante para não desistir, mas acho
que cai em uma ilusão de desgosto. Por um momento pensei que fosse dar certo,
pensei que fosse passar despercebida, mas eu me sentia nua e sem vida. Eu
estava desapontada comigo mesma. Decepção: um sentimento que faz você mudar radicalmente.
“Vá lá Faith, fuja! Fuja para as montanhas e seja
feliz” – Nada disso teria mudado nada em minha vida, apenas o local do crime
em que seria encontrada.
Os meus soluços podem ser escutados a
quilômetros de distancia além do mar. Os meus joelhos ainda tinham marcas e os meus
braços ainda estavam roxos e feridos.
Fraca. Eu
estava muito fraca e com dor.
Ainda com a chuva forte caindo eu posso ouvir
passos de sapatos caros sendo levados pelo impacto do chão. Sapatos de marfim e
um cheiro de perfume caro e masculino. Se eu não estivesse tão triste teria
ficado com medo daquele senhor que fora se sentou ao meu lado. Eu não pude
deixar de notar o luxo de como ele se vestia: terno branco de alguma marca cara
– obviamente – e relógios que pagariam um apartamento com suíte e serviço de
quarto por aqueles hotéis luxuosos de Miami. Noto também seus anéis de ouro que
reluziam por meus olhos como se fosse um diamante.
O senhor que aparentava ter sessenta anos leva um
cigarro Marlboro de dentro da caixinha para a boca que acende com um isqueiro
que pega no bolso. Ele me olha nos olhos e sorri minuciosamente com o sarcasmo
nos lábios. O tom de suas pupilas combinava com seu guarda-chuva azul bebê que
segurava no punho. Ele não aparentava estar desgastado por sua idade, mas seu
sorriso me causava calafrios.
-Come
va, tesoro? – Sua voz sagaz soa com um sotaque italiano.
Eu não sabia o que aquilo queria dizer, então
continuo encarando meus dedos trêmulos pelo nervosismo.
-Tsc, tsc,
tsc. No, non piangere mia cara –
O senhor retira um lenço de dentro de seu terno e entrega em minhas mãos.
Encaro seus olhos mais uma vez engolindo a seco
toda a saliva que ainda restava na minha garganta.
Aquele homem parecia ser importante e isso era o
que mais me assustava. Apanho o lenço de suas mãos sentindo o toque áspero de
seus dedos passarem sobre os meus. Aquilo me fez sentir um arrepio da cabeça
aos pés. Sutilmente, apenas seguro o lenço entre as mãos sem deixar de
encará-lo com aquele sorriso esnobe.
-Não falo sua língua, me desculpe – Sussurro
quase sem voz e volto a fitar o mar.
Ouço o som da sua risada arrítmica se misturar
com o som da chuva caindo gota por gota pela capa do guarda-chuva. Encolho-me
ainda mais no meu assento.
-Me desculpe
bela.
Eu ainda não me acostumei com a América, hm? – Ele traga seu cigarro entre os
dedos soltando a fumaça aromática no meu rosto.
Me
afasto um pouco de seu corpo sentindo o nervosismo me incomodar.
Ele
não era daqui, isso estava claro. Eu nunca tinha visto um homem tão chique e
esbelto como ele era, e nunca tive a oportunidade de conhecer um italiano.
Mesmo falando no meu idioma eu pude sentir o tom do seu sotaque na ponta da sua
língua.
-Perso? – Ele molha os lábios antes de
tragar seu cigarro mais uma vez. Faço uma expressão de confusa. – Perdida? –
Ele ergue as sobrancelhas tornando a repetir suas palavras.
Ele parecia um pouco relaxado demais,
como se estivesse animado.
-Não, eu... – Respiro fundo passado os
dedos pelos meus cabelos molhados – Eu só estou... – Molho meus lábios antes de
terminar a frase, mas sou interrompida.
-Perdida?
– Ele completa a frase ainda sorrindo sarcasticamente.
Aquilo
estava começando a me incomodar um pouco.
-Talvez.
Não te conheço – Desvio meus olhos para qualquer lugar que não fosse seus
olhos.
Não
aguentaria mais um minuto ali com aquela sensação ruim se corroendo pelas
minhas veias. O meu alerta mental de que alguma coisa não estava certa piscava aceleradamente, ou talvez também fosse a minha covardia me dizendo que já estava
na hora de fugir mais uma vez.
Eu
estava com medo. Era primeira vez que tinha saído sozinha de casa sem ser para
o trabalho ou para a escola. Talvez esteja seja a hora de deixar tudo isso para
trás e vestir minha armadura chamada “coragem”.
-Não
tenha medo de mim cara mia, não vou
te machucar. Uma garota tão frágil como você, sozinha no meio dessa praia fria
e deserta, pode ser perigoso. – Ele sorri despreocupado.
Eu não seria tão burra. O meu sensor de
desconfiança me dizia que havia algo a mais por trás daqueles olhos tenebrosos.
Dessa vez foi a minha vez de perguntar.
-O
que você quer? – Pergunto sem medo. Ainda chovia, só que um pouco mais fraco.
A
ponta dos meus dedos ainda tremia e a minha vontade de vomitar tudo o que tinha
comido de porcaria há algumas horas estava voltando. Já estava frita mesmo, ser
morta ou levada para um beco escuro por aquele homem não seria tão assustador
para mim. Se for para morrer que seja uma morte rápida.
-Parece
que você precisa de um lugar para dormir – Ele traga seu cigarro mais uma vez.
Ele
parecia saber de tudo que tinha acontecido comigo até aqui. Isso poderia soar
estranho, mas olhando nos meus olhos poderia ser fácil de adivinhar. O que uma
garota tão jovem e triste faria sozinha no banco de uma praia nessa chuva?
Ainda mais chorando desesperadamente como estava? Eu não sentia mais aquele
nervosismo de quando cheguei aqui.
-Não
tenho onde dormir – Engulo a seco.
Seria
tanta intimidade assim? Passar as informações da minha vida para um homem que
acabei de conhecer nessa cidade que nunca tinha vindo? Não sei o que tinha dado
em mim, mas não tinha nada a perder.
-Uma
droga, não acha? – Ele suspira fundo analisando as ondas do mar sem olhar para
mim – Posso te ajudar cara mia – Ele
gesticula com as mãos – A propósito, me chamo Jim, Jim Farioli. Posso te tirar dessa situação se você quiser...
Dessa
vez ele olha para mim com aquele seu sorriso escrupuloso. Molho os meus lábios
mais uma vez pensando.
O
seu nome era Jim, ele não era daqui e certamente era rico. Essas eram as únicas
informações que eu sabia sobre ele. Eu já não tinha mais casa, muito menos uma
família para me abrigar. Em menos de três dias eu provavelmente estaria pedindo
esmolas pelas ruas. Mas é como tinha dito: o que eu tinha a perder? A minha
vida que não seria. Chega uma hora que você perde as esperanças de melhorar as
coisas. Desde meus quatorze anos venho tentando não me abater, mas acho que me
perdi no caminho.
Suspiro
fundo me ajeitando no banco. Fito meus All-stars
surrados antes de dizer alguma coisa. Talvez seja isso que o destino queira.
-Eu
preciso de ajuda sim. Não tenho para onde ir – Digo quase em um sussurro,
friamente.
Jim
parece sorrir enquanto eu continuo com a feição sem ânimo de sempre.
-Come è ben, tenho um lugar perfeito para você – Ele sorri dando uma última tragada
no cigarro antes de jogá-lo pela areia da praia.
Ele
se levanta do banco e ergue a sua mão para eu apertá-la. Antes de qualquer ato
me certifico mentalmente do que estou fazendo; pegando “carona” com um homem qualquer que tinha acabado de conhecer nessa
cidade nova. Era mesmo isso que eu queria? De qualquer maneira eu morreria de
fome em algumas semanas. Eu não podia recusar nenhuma oferta agora. Se for isso
que eu devia fazer, eu farei.
Aperto
firme sua mão me levantando do meu assento também. Um sorriso de canto surge
nos lábios de Jim como e ele tivesse acabado de ganhar na loteria. Sabia que
tinha algo mais por trás disso, mas como eu já disse: não posso recusar nada
agora. Eu não podia morrer ali, não sem ao menos cometer alguma loucura na
minha vida.
-Não
te conheço, mas não tenho onde passar essa noite, então me diga o que devo
fazer... – Essas foram às palavras perfeitas para fazerem seu sorriso de gato Cheshire florescer.
Eu
meio que estava chateada, então não estava ligando para o que aconteceria
depois disso. Era morrer ali ou nada.
-Não
se preocupe bela, vamos – Jim passa
seus dedos desnivelados pelo meu rosto quente acariciando levemente
aquela área – Você se sentirá bem daqui algumas horas – Ele retorna a sua
postura apontando o dedo indicador para de trás de mim.
A
sua BMW preta e reluzente estava nos aguardando na calçada estranhamente junto
a um homem encostado sobre a mesma. Eu mal tinha reparado que ele estava ali.
Pele
morena, estatura alta, corpo magro e um olhar malicioso. Ele estava de braços
cruzados e sem tirar seus olhos de mim. Parecia ser jovem, com uma idade de uns
vinte e poucos anos. Vestia-se modernamente com correntes de ouro pelo pescoço
me dando a impressão de que ambos tinham muito dinheiro.
-Não vem? – Jim interrompe meus pensamentos.
Sorrio
sem ânimo acompanhando os seus passos até a BMW sem questionar e reparar no
homem que me aguardava de portas abertas. Coloco-me sobre o banco de trás
sentindo o cheiro de cigarro pregado no couro do estofamento. Era tão limpo e
confortável que me fez me sentir um pouco melhor.
Agarro-me
na minha mochila me encolhendo no canto do assento sentindo a presença de outro
homem desconhecido ao meu lado. O seu olhar era um pouco menos sarcástico que
de Jim e as suas sobrancelhas também estavam erguidas. Não reparo muito na sua
expressão ou roupa para não parecer uma estranha. Apenas engulo a seco
pressionando meus dedos no tecido da minha mochila até embranquecê-los.
-Caramba
Jim, dessa vez Martin vai ficar contente – O homem do meu lado sorri
divertidamente.
Jim
adentra no carro rolando os olhos e tomando seu lugar no passageiro ao lado do
motorista moreno. Tive más sensações com a sua frase, mas preferi me manter em
silêncio.
-Cala
a boca Alec, se mantenha em seu lugar e só fale quando eu mandar – Jim responde
rudemente.
Continuo
olhando para a garoa lá fora sentindo o olhar do moreno se arrobustar sobre mim
pelo retrovisor. Ele tragava seu cigarro enquanto dava partida no carro para
irmos embora e eu finjo que não observo.
Acho
que estava na beira de cometer uma loucura. Me sentia a base de drogas e da
depressão. Sempre era assim, eu ficava triste e me sentia irreversível. Eu não
estava arrependida, mas confesso que estava com medo. Eu estava assustada, com
frio e com uma vontade imensa de chorar, mas me contive.
Apenas
observo a chuva lá fora esvaziando minha mente para me distrair. Jim estava
tendo uma conversa no telefone no qual não tive o interesse de ouvir. O homem
sentado ao meu lado mexia em seu celular entediado enquanto o moreno apenas
dirigia.
-Está tudo certo como prometido, Martin. Ho
quello che ti serve. – Mordo os lábios tentando não me assustar com aquela
conversa.
Olho
de soslaio para o homem sentado ao meu lado voltando para a minha posição
anterior quando sou pega olhando para o mesmo. Ouço sua risadinha debochada
depois de um sussurro tão baixo que não pude escutar.
Já
se faziam meia hora que estávamos presos naquele carro até eu sentir a chave de
ignição sendo desligada e o mesmo parar em frente a uma via.
Não
parecia ser qualquer rua. A minha boca abre e fecha com tantos carros de luxo
estacionados em um só lugar. Parecia ser um lugar classe alta aonde apenas
gente rica iria.
-Anda
garota, já chegamos – O homem cujo o nome eu me lembrava ser Alec já me
esperava de portas abertas para eu sair.
Sinto
meu suor escorrer pela minha garganta fazendo como ele diz sem dizer nada.
-Onde
estamos? – Me atrevo a perguntar antes de pôr os pés no chão.
O
mesmo sorri maliciosamente erguendo seu supercílio como se aquilo fosse brincadeira.
-No
paraíso – Alec responde com um sorriso nos lábios.
Ponho
os pés no chão sentindo a brisa fria bater pelos meus cabelos que já estavam
quase secos.
Estava
um tempo gostoso e aquela rua estava bem movimentada.
Observo
atentamente o letreiro luminoso de cor vermelha que mais parecia ser uma balada
chique com o nome de “Blue Velvet”. Havia uma movimentação boa de pessoas
entrando e saindo da mesma. Jim faz um sinal para Alec e ele me aponta para a
porta de vidro da boate. Era tudo tão chique e bonito que poderia dizer que até
tinha um toque de luxuria.
Havia
um palco grande no meio da boate entre outros palcos menores encaixados com
alguns postes de prata fixados sobre o chão. Luzes planejadas que deixavam o
lugar mais glamoroso e um bar bem movimentado um pouco depois do palco.
Cortinas azuis enfeitando os arredores e alguns sofás de veludo azul-marinho
pelos canteiros. Eu era muito inocente para não notar que aquilo não era bem
uma balada e sim uma casa de strip-tease.
O
cheiro de menta e perfume caro reinava no local e a maioria das pessoas ali
eram homens. As poucas mulheres que tinham ali se vestiam com roupas curtas que
pereciam ser caras e de marca. Saltos nos pés, etiqueta nos vestidos e cabelos
deslumbrantes, não passavam de mulheres fúteis de nariz para cima.
A
maneira e o jeito que elas me encaravam pareciam ser de deboche, mas era
compreensível pelas roupas que eu usava. Me sinto envergonhada procurando um
buraco para me esconder. O moreno da BMW segue para um dos sofás longe de nós
agarrando uma moça loira que passava por ali.
Ele
agarrava sua bunda descaradamente sem se preocupar se as pessoas iriam se
incomodar ou não. Mas o que eu estava pensando? Ele não era o único ali, e
aquele lugar servia para isso. Pensar nisso me faz sentir nojo.
-Jim
está te esperando, anda – Alec surge do meu lado me tirando dos meus
pensamentos e me guia para o andar de cima.
Passamos
por uma escada de vidro até chegarmos a outro corredor luxuoso e mais privado.
Preferia ter ficado no andar de baixo, aqui parecia um lugar mais reservado e
importante, o que aumentava o meu nervosismo.
Alec
me leva até o fundo de um míni corredor atrás do palco da boate até chegarmos a
uma sala cheia de mulheres seminuas. Parecia ser uma espécime de camarim onde
as mulheres se trocavam. Eu não tive tempo para reparar nos detalhes do local
de tão assustada que estava.
Eu
estava nervosa e em pânico.
-Nova
amiguinha para vocês, vadias. Ela tem que estar bem apresentável ainda hoje. –
Alec me joga para o meio delas.
Algumas
me encaravam com desdém e outras com dó, mas a maioria não estava ligando. Elas
pararam o que estavam fazendo para me fitar dos pés a cabeça e erguerem a
sobrancelha. Umas riram e outras cochichavam.
Me
sentia estúpida e idiota no meio daquelas mulheres. Sentia que tinha levado um
baita soco na barriga a ponto de querer me fazer vomitar. Eu não choraria ali,
não queria passar essa vergonha.
-Gisele,
você vai cuidar dela para hoje à noite. Não se esqueça de que ela não ficará
aqui por muito tempo — Alec pisca sarcasticamente e sinto uma vontade imensa de
cuspir no seu rosto asqueroso.
Parecia
que eu não era a única com aquela raiva ali.
Fito
a tal Gisele ao meu lado sentindo seu olhar de pena sobre mim. Ela era linda,
alta e tinha um corpo de dar inveja em qualquer mulher. Os seus fios vermelhos
rubros e seus olhos de tom castanho faziam uma combinação perfeita com o
formato de seu rosto. Pela sua aparência, parecia ter uns vinte e dois anos.
-Jim
também te encontrou não foi? – Ela sorri sem vida para mim.
Eu
não queria chorar, não queria mesmo, mas era inevitável.
Uma,
duas, três lágrimas escorrem pelo meu rosto. Sentia-me um lixo. Sentia vontade
de ter morrido quando tive a chance, mas eu era fraca demais para tudo isso.
Parecia uma criança perdida, afinal, eu era uma criança perdida ao lado
daquelas mulheres. Gisele não parecia ser uma pessoa má, parecia ter caído na
mesma enrascada como eu, como a maioria ali.
Me
sentia violentada sem ao menos ter sido tocada ainda. O que aconteceria comigo
depois disso? Tudo o que eu queria era ter a oportunidade de viver uma vida
normal, como uma adolescente normal. Eu não tinha ninguém além de mim mesma
naquele momento. Tudo que eu toco se transforma em desastre. As minhas dores
dos murros de Jonny ainda não tinham se passado e a minha dor de cabeça já
estava voltando.
Eu
tinha medo do que precisava, tinha medo do que me esperava lá fora. Tudo que eu
queria era poder melhorar as coisas, mas acabei me deixando levar demais. Não
tive culpa por nada disso, não aguentava mais sofrer agressões de Jonny, mas
parece que acabei me livrando de um problema para encontrar outro.
-Olha,
chorar não vai te levar a nada... – Ela me olha nos olhos e molha os lábios.
Gisele
não sabia o que falar e isso tinha me partido no meio, pois ela saberia o que
aconteceria comigo depois. Eu não quero parecer uma burra, esperava que no
máximo Jim me levasse com ele para servir de empregada doméstica e pelo menos
poderia ganhar algum dinheiro com isso. Eu estava tão desesperada em saber em
eu como comeria que não pensei no pior em confiar em estranhos. Poderia passar
minha vida inteira lavando chão, mas não suportaria mais apanhar de homem nunca
mais. Não aguentaria mais.
Achava
que já tinha me conformado, só que ainda tinha meus pesadelos.
-Tudo
bem. Não tenho volta – Seco minhas lágrimas com a palma das mãos.
A
água do meu corpo tinha se esgotado de tanto chorar. Sentia raiva de Jim agora,
sentia raiva por ter sido menosprezada daquele jeito tão insignificante.
-Não
tem mesmo, e é melhor eu te explicar como são as coisas aqui antes de você ser
dar mal. Jim já te feriu? – Ela repara nas minhas marcas roxas do meu braço.
Sentia-me
ruborizada tirando suas mãos do meu pulso no mesmo instante.
-Não,
não foi ele. É uma longa história... – Fito o chão.
-Ok,
mas saiba que nunca deve desobedecê-lo, nunca faça isso. Não queira saber o que
acontece com aquelas que o desobedecem. Ele não é o senhorzinho bonzinho que
ele aparenta ser, muito pelo contrário, não devia ter confiado nele. – Gisele suspira
pensativa – Não se preocupe, provavelmente você não ficará com a gente. Meninas
iguais a você meio que... hm... — Ela engole a seco.
-O
que vai acontecer comigo? – Sinto um nó na minha garganta me sufocar.
Queria
sair correndo daqui para poder chorar desesperadamente por algum canto, ou me
humilhar pelas ruas pedindo por ajuda. Mas pensando bem, não poderia ser
possível ser mais humilhada do que já tinha sido.
-Calma,
é só ficar calma e deixar eu te arrumar. Jim mandou você estar pronta em uma hora.
Vem cá – Ela me chama pelo dedo.
Encolho-me
em meus ombros sendo guiada por Gisele. Era inevitável não reparar nos olhares
debochados que me queimavam pelas costas. Aquelas mulheres humilhavam a si
mesmas e ainda teriam a coragem de rirem disso como se fosse uma piada. Todas
se vestiam com roupas curtas e maquiagens extravagantes não parecendo ligar que
há algumas horas elas iriam ser humilhadas como prostitutas na frente de todos
aqueles homens nojentos.
Eu
não conseguia me imaginar naquela situação nunca. Não me achava bonita a ponto
de fazer um homem querer me comprar em um leilão, e pensar que iria ser uma
delas isso me faz querer morrer. As minhas lágrimas caiam como se fossem criar
poças.
-Como
estava dizendo, meninas novas e virgens iguais a você normalmente são leiloadas
por algum ricaço que não tenha aonde mais gastar dinheiro — Arregalo os olhos
mais uma vez desesperada.
Não
estava pronta para aquilo, não estava mesmo. Eu não estava me importando se
passaria vergonha, sentia meu choro querer descer pela garganta me queimando
como no inferno. Não conseguiria ser mais humilhada do que isso. O meu choro já
se transformava em soluço a ponto de ser escutado de longe.
Então
era isso? Seria tratada como um objeto sendo vendida como uma peça qualquer
como se não tivesse sentimento algum.
Quantas
meninas no meu lugar já passaram pelas mãos de Jim? Por que isso estava
acontecendo justo comigo? Por que eu não podia simplesmente ter me permitido
morrer quando podia? Isso me faz querer sucumbir-me mais do que eu já queria
antes.
-Calma.
Os homens que frequentam aqui normalmente não são feios ou asquerosos como Jim.
Alguns podem ser peculiares, mas não farão mal a você, se não desobedecer,
claro – Continuo a encará-la sem palavras para dizer.
Tudo
o que eu queria era poder ter me sufocado no mar enquanto ainda havia tempo.
Eu
tinha que me conformar, estava morrendo de medo, querendo alguém que pelo menos
se importasse comigo. Eu mal tinha formado meu corpo direito e não me achava
bonita. Tudo o que eu queria era poder sumir desse planeta de uma vez para não
ter que passar por isso.
-Qual
é o seu nome e quantos anos você tem?
-Faith,
vou fazer dezessete em alguns meses – Respondo em meio dos meus soluços.
-Hm... – Gisele grunhe fazendo uma careta – Muito
novinha – Ela vira de costas para pegar alguma coisa – Toma, isso daqui vai
servir bem em você. Até que seu corpo é bem evoluído para a sua idade – Ela
sorri, me entregando a peça de roupa.
Ela
só poderia estar maluca.
Gisele
mostra nas mãos um conjunto de um corpete azul-marinho detalhado com uma cinta
liga de renda. Ela joga a peça por cima do seu ombro como se aquilo fosse a
coisa mais normal do mundo.
-Até
parece que vou usar isso, por favor! – Digo, e ela bufa.
-Esse
é o corpete mais caro que temos no estoque, não vai querer desperdiçar isso,
pois vai poder levar junto com você depois. Não posso fazer nada, apenas sigo
ordens. Caso ao contrário, Jim me levaria para o quartinho do medo, então não
questione, apenas vista, ou será você que sofrerá as consequências – Ela diz,
me olhando no fundo dos olhos, e ali eu pude sentir o pavor nas suas palavras.
O
que seria o quartinho do medo? Seja o que for não queria saber senão ficaria
mais perturbada ainda. Apenas obedeço como ela manda e me visto. Ao contrário
do que eu pensava aquele conjunto tinha servido perfeitamente em mim a ponto de
conseguir preencher meus seios com facilidade.
Céus,
já me sentia envergonhada e com náuseas só de pensar naqueles homens me vendo
desse jeito. As minhas pernas estavam totalmente despidas e os meus peitos
estavam saltando pela renda.
Prendo
a cinta liga na meia calça de cor preta dando a combinação perfeita de uma
vadia mirim. Eu não teria coragem de me olhar no espelho, me sentia uma piranha
com essa roupa.
-Ual,
não disse que caberia? Viu? Até que não é tão ruim assim – Ela dá de ombros me
guiando até uma penteadeira.
A
minha cara deve estar horrível. O meu choro tinha deixado a minha face inchada
e os meus olhos estavam exaustos de tanto sair lágrimas. Gisele ajeita o meu
cabelo com uma chapinha e um baby-liss
e depois passa a maquiagem. Por acidente acabo me esbarando em um espelho me
vendo ser obrigada a encarar o meu estado.
Senhor, parecia uma delas. Me fito de olhos arregalados
olhando para a minha imagem refletida no espelho tendo que encarar a realidade
de que era uma nova Faith ali e eu não a conhecia.
-Vamos?
– Gisele borrifa um perfume doce em todo o meu corpo e me lança um sorrisinho
satisfatório.
Eu
não sabia bem o que ela fazia ali, mas pelo que eu via era ela que ajudava as
meninas se arrumarem.
As
minhas pernas estavam bambas e eu estava quase por pouco de desmaiar ali mesmo.
Ela me leva até o local que Alec tinha me mandado esperar sentada. Sentia meu
coração querer sair pela boca.
Eu
não via mais Gisele. Alec me dá um susto aparecendo de trás de mim e me
agarrando pelo braço com força, abrindo a porta de um dos cômodos e dando
licença para eu passar. Respiro fundo adentrando na mesma e tropeço de cara com
uma sala de vista perfeita para os prédios da cidade. A janela de vidro imensa
me dava o privilegio da vista incrível, e do lado dela uma mesa de mármore
maciço em forma oval com várias cadeiras estofadas ao redor. Parecia ser uma
sala de reuniões pelo modo organizado dos móveis. Não era um cômodo cheio de
coisas, só alguns enfeites e uma lâmpada de cristal no teto.
Eu
estava tão translúcida
com a decoração da sala que não tinha reparado que havia um homem ali. Alec
aponta para uma das cadeiras em volta da mesa e me assento sobre uma delas. Só
tínhamos eu, ele, Jim e o homem desconhecido por mim naquela sala. Eles
pareciam conversar sobre alguma coisa, enquanto eu encarava meus pés naqueles
saltos cintilantes disfarçadamente.
-Sabe o quanto isso é importante para ele Jim,
não estrague isso — Ouço algumas
tossidas fortes seguidas de sussurros do outro lado da sala.
-Não vou, meu amigo. Falando nisso, por que você
não vê com seus próprios olhos?
-Quero morrer e me certificar de que meu império
continue tendo sucesso. Quero ter certeza de que meu filho será capaz de
administrar tudo isso. Ensinei a ele tudo o que ele precisa saber, agora chegou
a minha hora, e com isso ele deve aprender a se comportar como alguém decente.
-Relaxa meu amigo, está tudo sob controle. Aliás,
você vai adorar essa garota nova que eu trouxe, do jeitinho que o senhor pediu.
Sinto
meu coração disparar depois daquela última frase.
Junto
os meus joelhos um nos outros sentindo seus olhares sobre mim. Eu queria poder
quebrar o vidro daquela enorme janela e me jogar dali de tão sem jeito que
estava.
-Cara mia, levante-se e diga um oi para
meu amigo – Jim chama minha atenção e dessa vez tomo coragem para encará-lo.
O
tal amigo parecia ser um pouco mais novo do que Jim, só que mais acabado. Os
seus cabelos castanhos aloirados emaranhados pelo suor da sua testa e seus
olhos cor de mel claro - quase que caramelo - já estavam perdendo a cor pelo
cansaço que ele aparentava estar.
Ao
contrário de Jim ele não parecia de bom humor. Parecia mais que tinha passado
um carro por cima do mesmo. Sem querer ofendê-lo, mas era como se estivesse
doente. Tinha um olhar destemido e decerto não parecia feliz.
Mais
alguns minutos naquela sala, mais eu soava a frio.
Levanto
da cadeira ficando de pé tentando não cair. Eu não queria ser ingênua, sabia
muito bem para o que eu serviria, mas penso: até que ponto iria ser usada? Sentia-me suja e dolorida. Os meus
joelhos ainda tinham marcas de ferida e a minha dor de cabeça já estava
voltando junto com a minha ânsia de vômito. Tudo o que eu mais queria era que
isso acabasse logo. Mal veria a cor daquele dinheiro, então não tinha razão de
eu me importar em saber que preço valeria.
Estava
exausta, com fome e com vontade de morrer. Não tinha mais energias para ficar
de pé por mais alguns minutos. Olho ao meu redor e não consigo enxergar quase
nada. Sentia como se estivesse perdendo os sentidos e eu não sabia se tinha
mais pernas para andar.
-Olá
querida – Essa foi a única coisa que saiu da sua boca após o meu silêncio.
A
sua voz ríspida parecia ter sido arranhada pela sua garganta e sua tosse já
tinha voltado. O seu comprimento não parecia ter saído como uma demonstração de
educação, mas sim num tom sarcástico como de Jim.
Martin
me analisa da cabeça aos pés com um olhar sério que me dava calafrios. Sem
querer ser má educada eu respondo sem parecer nervosa:
-Olá
– A minha voz sai em meio fio.
Jim
sorri de canto e me fita após encarar o homem.
-Esqueci-me
de perguntar cara mia, qual é o seu
nome? – Jim espera pela minha resposta enquanto molho os lábios para
respondê-lo.
-Faith,
Faith Miler – Sussurro a ponto de ele poder escutar do outro lado da mesa.
Ele
sorri e retorna a encarar seu amigo que ainda transmitia um olhar sério.
-Eu te disse Martin, ela é perfeita pra isso –
Jim sorri para o homem.
Parecia
ser o mesmo senhor que ele conversava mais cedo no carro. Eu estava tão confusa
que não tive tempo para pensar no que tinha acabado de dizer.
Blue
Velvet era uma boate adulta e eu tinha apenas dezesseis anos. Sabia muito bem
para o que eles me queriam ali, e só de pensar nisso já sinto o pavor de suas
palavras me atormentarem.
-Não
me sinto confortável – Arfo repentinamente interrompendo a sua conversa.
Suspiro
fundo antes de me desesperar. Jim semicerra os olhos para Alec e o mesmo se
encaixa ao meu lado. Parecia que aquelas paredes se fechavam sobre nossa volta
e o espaço estava ficando pequeno. Me sentia pequena.
-Alec,
leve Faith para a sala que eu te falei. Tenho certeza que ela se sentira melhor
lá – Jim sorri para o mesmo antes de voltar para a sua conversa.
-Vamos
garota – Alec suspira e me empurra para a porta em que entramos.
Sinto
a minha respiração descompensar me tirando o único fôlego que ainda me restava.
Se Alec não estivesse me segurando desmaiaria ali mesmo. Nada raciocinava pela
minha cabeça.
“-Eu te disse
Martin, ela é perfeita pra isso”
Aquelas
palavras já foram o bastante para me deixarem de pernas bambas. Como assim? Eu seria igual aquelas
mulheres? Claro que não Faith, seu corpo está a um nível muito menor do que
aquilo. Céus! Acho que estava passando mal. O que fariam comigo? Essa seria a
minha última noite viva? Sentia vontade de vomitar.
-Calma
garota, parece até que você vai desmaiar. Relaxa e veja o lado bom nisso,
ganhamos uma nota com você – Alec sorri sadicamente.
Eu
não tinha mais nenhuma saliva para engolir, não tinha mais forças para relutar
contra isso. Eu iria ser vendida? Senhor,
aonde tinha me metido? Eu estava com vontade de chorar, mas não adiantaria em
nada. Ele desce as escadas comigo novamente passando despercebido pelo público
cheio e me leva até uma cabine escura pouco iluminada que ficava nos fundos.
Alec
me joga em cima de um banco estofado no qual não pude enxergar direito e sai
sem dizer nada.
Depois
de alguns minutos Jim adentra sozinho com aquela feição asquerosa. Sentia nojo
daquele homem e do que ele fazia.
-Cara mia, pequena Faith, nunca pensei
que fosse ser tão deliciosa assim – Jim coloca suas mãos em meu rosto me dando
dois beijos em cada uma das maças da minha bochecha.
Senti
vontade de vomitar com as suas palavras. Aquele homem me enojava, e pensar que
seria tocada por outro homem igual a ele me fazia revirar o estômago.
-Não
me toque! – Solto sua mão do meu rosto e sinto um estalo esquentar minha
bochecha.
Pressiono
a mão sobre o local sentindo vontade de chorar. Eu não estava acreditando no
que ele tinha acabado de fazer.
-Nunca,
jamais, ouse falar comigo assim. – Ele pega pelo queixo me obrigando a olhar em
seus olhos. Sentia vontade de cuspir no seu rosto repulsivo – Agora, se prepare
– Ele solta do meu queixo voltando a sua posição cínica de anteriormente – Não
desobedeça e faça tudo o que ele
mandar, ok? Caso ao contrário, eu mato você.
Jim
sai da minha vista junto com Alec e me deixa sozinha naquela sala escura.
Encolho meus ombros engolindo o choro que estava prestes a sair, mas fui forte
o suficiente para não deixá-lo escapar.
Quem
era ele? Isso me fazia me sentir pior
como se fosse uma coitadinha. O que na verdade, era real. Estava assustada e
com frio.
-Para
onde eu vou? – Pergunto a mim mesma desorientada.
Eu
estava me sentindo tonta e já quase não conseguia enxergar mais nada. Alguns
minutos depois esperando naquela sala praticamente escura ouço a porta abrir e
vejo Alec adentrar.
Estava
lúcida, e a única coisa que pude sentir era uma picada no meu braço.
-Fica aqui garota, e tenta não desmaiar antes que
eu volte cacete – Alec dá dois tapinhas no meu rosto mórbido depois de me
deixar só no canto daquela sala qualquer.
Eu
não sabia o que estava acontecendo comigo e muito menos onde estava. A minha
visão estava embaçada e eu só conseguia escutar sussurros.
-Ela está pronta, senhor – Ouço Alec
dizer.
-Ótimo, está
tudo certo para nós irmos – Outra voz
quase que inaudível ecoa sobre o lugar.
Após
alguns momentos escutando risadas caio em um sono profundo.


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